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Escrevo á muito, com o coração aos prantos. Sem data, sem hora, sem ordem. Escrevo para as ruas amarguradas, onde nenhuma vivalma perambula. Escrevo nas margens de minha loucura e perco minha lucidez por todos os meus desalinhos. Minha alma se isola, num labirinto inventado; de textos e encantamentos das memórias esquecidas. Choro minhas lágrimas mortas, e deixo-me levar pela cidade de sombras que se tornou o meu ser. Escrevo as tristezas do mundo, e o triste destino de eu ser sempre palavras. Escrevo as angústias dominantes desses mares sem rosto de multidões de dores contidas. De dores escondidas; de faces sem expressão. Escrevo os momentos peculiares da existência. Escrevo a falta de sentido que me isola das demências rotineiras da população. Escrevo com dores, com estranhos amores; com tristes perdões. Escrevo a solidão, suave e perpétua, escondida em milhares de corações. As palavras fonte de vida, de existências esquecidas, de memórias de vento. De lembranças apagadas, tristes, abandonadas; de suposto pecado isento. Escrevo as sombras que evocam minha alma. Escrevo a sina triste de ser quase nada. De cair de esquecimento. Escrevo para as tempestades, para a escuridão das noites. Escrevo para deixar marcada, nessa triste alma calada, essa minha vida quase finda.
(Laíne Prêmoli).

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Escreva. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto fala ao telefone, mas escreva. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não queria. O simples ato de escrever nos ajuda a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder.


__Paulo Coelho.  (via romantizar)